quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ups...

Hoje levei um murro! Não daqueles que se leva em brigas ou em desafios nocturnos em bares que tresandam a álcool e vagabundice. Levei um murro da vida, um soco no estômago que se estendeu ao pescoço e me apertou num nó bem forte fazendo surgir na minha mente uma única e simples mensagem: O que vais fazer da tua vida?! Tenho 23 anos, estou a poucos meses de acabar um mestrado e com grandes possibilidades de vir a ter uma bolsa de doutoramento que me permite prosseguir numa financeiramente confortável meia década. Mas então, o que é que vou fazer da minha vida? Não quero isto, não me apetece estar agarrado a instituições académicas para o resto da vida a pedinchar por bolsas e a tentar entrar nos quadros de uma faculdade. Não me apetece fazer investigação nos processos cognitivos para o resto da minha vida e muito menos não ser feliz. Mas agora já tomei esse caminho, já o estou quase a acabar e sinto-me preso numa via de sentido único com duas linhas contínuas, uma de cada lado, que não me permitem desviar. A verdade é que eu escolhi isto, eu quis seguir um caminho que apenas me permitia investigar. Apetece-me divagar, experimentar, escrever, falar, comunicar e tudo aquilo que… não estou a fazer. Será tarde demais para mudar de rumo? O que é que isso implica? Será que eles me financiam? Podia apenas seguir o que estou a fazer e tentar retirar alguma coisa disso… Eu até gosto do que estou a fazer! Mas será que gosto mesmo? Será que gosto só de gostar ou gosto de fazer isto para sempre? Penso que tantos à minha volta demonstram real gosto por aquilo que estão a fazer e eu apenas gosto. Qual é o problema de só gostar? Só gostar não me faz viver a vida, só a faz passar… Na realidade queria estar a começar a fazer algo, a trabalhar… Em vez disso, penso em possibilidades, remotas e dependentes de bolsas… Sempre as bolsas e sempre a faculdade. Quero tirar outro curso, sobre coisas diferentes, noutra faculdade que me expulse mal acabe a licenciatura! Já percebi isso… Vou fazê-lo? Não sei… Sei que levei um murro. Apetece-me gritar para todos os que estão à minha volta “Ups, enganei-me!!”. Até ganhar coragem, vou escrevendo a tese sobre um tema que… gosto.

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