Ainda me custa a escrever neste teclado. Está frio, muito frio! Tanto que os meus dedos demonstram alguma relutância em aceder às minhas ordens.
Saí da grande cidade e vim para o campo. A casa é grande e tem muito menos movimento que o pequeno apartamento lá na capital. Entro e sinto os ossos estalar. O escuro engole a beleza que a decoração ostenta - as portadas estão fechadas para evitar intrusos inesperados - e o silêncio suga toda a vida que daqui podia surgir. O cenário é, basicamente, frio! Não obstante, sinto-me em casa. Abro as portadas, acendo as luzes e a mobília mostra-se como a face de uma noiva quando levanta o véu. O tom vermelho e castanho da tijoleira e da madeira contrastam com o branco das paredes envolvendo-me numa sensação acolhedora e espaçosa. Sem perder tempo, acendo três milagrosas acendalhas, coloco três pinhas em cima e, como uma pequena grande cereja no topo do bolo, a lenha assenta na perfeição. De repente, debaixo do amontoado de madeira, começa a surgir uma fraca luz. Estalos ecoam e a luz aumenta. Naquilo que parece um abrir e fechar de olhos, a chama cresce e começa a engolir os enormes troncos que anteriormente pareciam impenetráveis. A luz está mais forte e agora transmite calor, as enormes paredes iluminam-se e começam a cuspir uma energia que outrora não existia. A casa volta a estar viva e sabe bem estar aqui. Deito-me no sofá. Entretanto a minha mãe - minha querida mãe - chega com mais energia, mais calor, mais vida! Passeio-me entre a sala e a cozinha. Conversamos, comemos, cozinhamos e contamos as novidades fazem os nossos pequenos mundos girar - "hoje assaltaram a casa ali do lado, ainda fomos atrás do tipo mas ele fugiu". Foi aqui que cresci, é que que me sinto realmente confortável. Volto à minha infância, aos bons e maus momentos que aqui passei, aqueles que me fizeram quem sou. Volto a casa. Estou feliz. Estou quente!
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