quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Futuro

As conversas que me orgulho de ter com (quase) todos os seres humanos com quem me tenho cruzado nesta viagem têm, de facto, sido fundamentais para me enriquecer como pessoa e para me mostrar novas perspectivas do Mundo. A minha infantil, ou não, necessidade de acreditar que conseguimos criar uma sociedade melhor, mais igual e justa, torna-me quase num pequeno e inocente conversador perante os grandes conhecedores da política e sociologia mundial.
Penso, no entanto, que um pouco de crença, mesmo que pouco fundamentada, é particularmente importante para que possamos evoluir e crescer como seres, como cultura e até mesmo como raça. Já dizia António Gedeão que "Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança". Há, penso eu, algo de especial importância nesta frase. É necessário sonhar, acreditar em algo, mesmo que nos pareça impossível, mesmo que olhemos para ela como algo intangível, temos de acreditar que, um dia, a conseguiremos alcançar.
Uma sociedade igualitária é, sem dúvida alguma, algo utópico neste momento por diversas razões, sendo que a principal parece-me o facto de que a nossa sociedade criou necessidades que, para serem satisfeitas, obrigam a que haja uma determinada quantidade de pessoas a ocupar cada posto de trabalho, no entanto, esta distribuição de pessoas pelos postos de trabalho não é igual à quantidade de pessoas que, na realidade, querem ocupar esse posto. Gera-se aqui, portanto, uma incompatibilidade entre a felicidade e realização de cada indivíduo e o bom funcionamento da sociedade. Não é, no entanto, o objectivo de cada sociedade melhorar, para que cada um dos seus indivíduos possa ter uma maior qualidade de vida? Assim, a resposta imediata daqueles que, e digo-o com sinceridade, são bastante conhecedores das politicas e sociedades actuais, prende-se com a incapacidade do ser humano lidar com o conforto. Isto é, se a sociedade proporcionar a cada um dos seus indivíduos uma vida confortável e sem risco, tornar-nos-íamos em seres preguiçosos, numa sociedade estagnada que nada mais teria como função neste Mundo, a não ser a função de Estar. Há aqui algo que me baralha. Eu compreendo perfeitamente este ponto de vista e sinto-me até intimidado por ele, no entanto, parece-me que podemos pegar nele através de outro ponto de vista. Pergunto-me se não há pessoas que, com todo o conforto e segurança do mundo, não se lançam à descoberta, ao estudo e à aprendizagem, sem qualquer necessidade de o fazer? Então porque não poderia isso acontecer com alguns dos elementos da tal sociedade utópica? Mais ainda, olhando para a sociedade que temos neste momento, na qual a maior parte dos seus indivíduos passa fome e não tem quaisquer condições de higiene ou segurança, seria assim tão descabido querer uma sociedade estagnada, mas justa e confortável? Aceitar que pararíamos de evoluir, mas que todos os que nascessem tivessem possibilidade de comer… Não me parece que esta última hipótese seja a melhor, até porque eu próprio não me identifico com ela, mas, para alguém que nasce hoje e não tem mais do que meio como de água para beber a cada dois dias, será uma possibilidade tão descabida assim?
Fundamentalmente, o que quero defender é que, mesmo que hoje nos pareça completamente impossível uma sociedade justa e confortável para cada um dos seus indivíduos, porquê colocar essa hipótese de lado? Quantas coisas não eram impossíveis no passado e são adquiridas hoje em dia, a electricidade, a internet, a Terra redonda, entre outras. Mais ainda, temos exemplos de pequenas comunidades que conseguem viver partilhando por todos os seus membros as riquezas que recolhem da natureza. É, então, assim tão impossível imaginar um mundo melhor? Como dizia John Lennon, “Um sonho que sonhas sozinho, é apenas um sonho. Um sonho que sonhamos juntos é a realidade”.
A compreensão do Mundo é algo que procuramos desde sempre. Enquanto nos agarrarmos ao possível e alcançável, o Mundo continuará a ser uma incógnita. O que nos parece impossível hoje, poderá ser o adquirido amanhã, basta-nos acreditar.  

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