Ontem falámos, hoje falámos e amanha falaremos.
Entendemo-nos.
As pessoas mudam.
Ás vezes deixam de se entender.
Ás vezes entendem-se na mudança.
Tenho de receio de um dia não a entender.
Tenho receio que um dia ela não me entenda.
Quero mudar com ela.
Quero entendê-la.
Quero que me entenda.
Espero que nos entendamos sempre.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Vais ou ficas?
Todos temos o nosso pequeno Mundo. É nele que aprendemos a ser e a viver. É nele que está a segurança. É nele que a nossa vida se assume. Cada um dos nossos pequenos Mundos tem muitas particularidades. Cada um tem o seu direito de ser. Todos constituem O Mundo. Mas O Mundo é grande. Muito Grande!
Gostava de poder passear. Só passear. Não quero pensar onde, nem com quem, nem em que moldes. Só gostava de passear. A aventura de me enfiar num meio de transporte para um sítio totalmente desconhecido é fascinante. É verdade que é moda dizer que se quer viajar. Mas esse viajar não me interessa. Eu não quero hotéis nem piscinas nem discotecas. Quero conhecer o desconhecido, quero ver os pequenos Mundos para acrescentar ao meu Mundo. Tenho sede de transformar o meu Mundo num Mundo gigante! Quero viver vários pequenos Mundos.
Um dia fui a um sitio diferente. Mesmo diferente. E gostei. Gostei da vida deles. Gostei de olhar o Mundo com os olhos deles. O chão do aeroporto era diferente; todo ele era alcatifado, sem falha. Era quente, mas sujo também. O ar era morno, húmido e porco - quase dava para sentir o fumo a entrar-nos pelos pulmões adentro. Era bom. A comida era vegetariana, o que poderia ser um problema para mim, visto que adoro um bom bife. Mas não, passei 10 dias sem carne e sem sentir qualquer falta dela. Os quartos eram porcos, com mosquitos e com as casas de banho por lavar. Penso que nem os lençóis mudavam entre cada hóspede. Senti-me verdadeiro. Sabia que não gostava daquilo, que muito do que se estava a passar à minha volta ia contra todos os princípios do pequeno Mundo onde tinha crescido. Mas este também era o pequeno Mundo de muitas pessoas e eu queria saber como se tirava dali o prazer de viver. Foi preciso abrir o espírito. Não foi fácil. Mas foi bom. Senti-me maior, mais vivido, mais conhecedor.
Eis que surge um novo vício: depois destas experiências há uma sede que se apodera de nós. Uma sede de mais e mais e mais. Queremos o nosso Mundo a crescer infinitamente. Queremos viver mais, ver mais, sentir mais. Principalmente, queremos tudo isto diferente do pequeno Mundo onde crescemos. E aqui os problemas começam. Ou somos ricos, ou somos muito corajosos. A primeira não me interessa e a segunda tão depressa se apodera de nós, como nos deixa sós à beira da estrada. A verdade é que eu gostava de partir, sinto aquela inquietação interna. Aquela vontade demolidora de me lançar ao Mundo que me deixa o estômago às voltas. Quero esquecer a faculdade, o futuro, as pressões e o dinheiro. Só quero ir. Passados uns anos volto mais pessoa, mais vivido e mais feliz. Volto com o meu Mundo gigante às costas - cheio de visões diferentes e de sensações diferentes. Posso viver o meu pequeno Mundo através do meu Mundo gigante!! Mas tenho medo. Vou ter saudades, vou estar desconfortável, posso adoecer, posso ficar pobre, posso morrer, posso não ter ninguém com quem partilhar, posso passar fome, posso sentir-me só. Posso nunca conseguir voltar para ver o meu pequeno Mundo através do meu Mundo gigante. Pode não resultar.
Pensar faz mal.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Está frio não estava?
Ainda me custa a escrever neste teclado. Está frio, muito frio! Tanto que os meus dedos demonstram alguma relutância em aceder às minhas ordens.
Saí da grande cidade e vim para o campo. A casa é grande e tem muito menos movimento que o pequeno apartamento lá na capital. Entro e sinto os ossos estalar. O escuro engole a beleza que a decoração ostenta - as portadas estão fechadas para evitar intrusos inesperados - e o silêncio suga toda a vida que daqui podia surgir. O cenário é, basicamente, frio! Não obstante, sinto-me em casa. Abro as portadas, acendo as luzes e a mobília mostra-se como a face de uma noiva quando levanta o véu. O tom vermelho e castanho da tijoleira e da madeira contrastam com o branco das paredes envolvendo-me numa sensação acolhedora e espaçosa. Sem perder tempo, acendo três milagrosas acendalhas, coloco três pinhas em cima e, como uma pequena grande cereja no topo do bolo, a lenha assenta na perfeição. De repente, debaixo do amontoado de madeira, começa a surgir uma fraca luz. Estalos ecoam e a luz aumenta. Naquilo que parece um abrir e fechar de olhos, a chama cresce e começa a engolir os enormes troncos que anteriormente pareciam impenetráveis. A luz está mais forte e agora transmite calor, as enormes paredes iluminam-se e começam a cuspir uma energia que outrora não existia. A casa volta a estar viva e sabe bem estar aqui. Deito-me no sofá. Entretanto a minha mãe - minha querida mãe - chega com mais energia, mais calor, mais vida! Passeio-me entre a sala e a cozinha. Conversamos, comemos, cozinhamos e contamos as novidades fazem os nossos pequenos mundos girar - "hoje assaltaram a casa ali do lado, ainda fomos atrás do tipo mas ele fugiu". Foi aqui que cresci, é que que me sinto realmente confortável. Volto à minha infância, aos bons e maus momentos que aqui passei, aqueles que me fizeram quem sou. Volto a casa. Estou feliz. Estou quente!
Saí da grande cidade e vim para o campo. A casa é grande e tem muito menos movimento que o pequeno apartamento lá na capital. Entro e sinto os ossos estalar. O escuro engole a beleza que a decoração ostenta - as portadas estão fechadas para evitar intrusos inesperados - e o silêncio suga toda a vida que daqui podia surgir. O cenário é, basicamente, frio! Não obstante, sinto-me em casa. Abro as portadas, acendo as luzes e a mobília mostra-se como a face de uma noiva quando levanta o véu. O tom vermelho e castanho da tijoleira e da madeira contrastam com o branco das paredes envolvendo-me numa sensação acolhedora e espaçosa. Sem perder tempo, acendo três milagrosas acendalhas, coloco três pinhas em cima e, como uma pequena grande cereja no topo do bolo, a lenha assenta na perfeição. De repente, debaixo do amontoado de madeira, começa a surgir uma fraca luz. Estalos ecoam e a luz aumenta. Naquilo que parece um abrir e fechar de olhos, a chama cresce e começa a engolir os enormes troncos que anteriormente pareciam impenetráveis. A luz está mais forte e agora transmite calor, as enormes paredes iluminam-se e começam a cuspir uma energia que outrora não existia. A casa volta a estar viva e sabe bem estar aqui. Deito-me no sofá. Entretanto a minha mãe - minha querida mãe - chega com mais energia, mais calor, mais vida! Passeio-me entre a sala e a cozinha. Conversamos, comemos, cozinhamos e contamos as novidades fazem os nossos pequenos mundos girar - "hoje assaltaram a casa ali do lado, ainda fomos atrás do tipo mas ele fugiu". Foi aqui que cresci, é que que me sinto realmente confortável. Volto à minha infância, aos bons e maus momentos que aqui passei, aqueles que me fizeram quem sou. Volto a casa. Estou feliz. Estou quente!
domingo, 8 de janeiro de 2012
A busca eterna
Há dias falávamos de filhos. Num futuro longínquo claro. Surgiu então a pergunta de "qual seria a tua reacção se o teu filho quisesse ser funcionário da EMEL?". Respondi sem hesitar que seria de o apoiar. Mas realmente é uma profissão mal aceite, mal encarada e, por muitos, quase odiada! Então, como reagiria eu se o meu filho quisesse ser funcionário da EMEL? Ou homem do lixo? Ou empregado doméstico (independentemente do sexo)?
A vida é feita de escolhas... Algumas piores, outras melhores, mas as escolhas estão sempre lá. E aqui não há nada mais simples que um único objectivo final. Por muitas voltas que possamos dar e por muitos argumentos que possamos apresentar, a meta final, ao tomar uma decisão, é a busca da felicidade. Não sejamos hipócritas nem mentirosos, há profissões das quais não gostamos e há decisões que rezamos a Deus, seja ele quem for, para que os nossos filhos não as tomem. No entanto não há nada mais sagrado do que a felicidade. É o nosso Deus mais tangível, a nossa busca mais insaciável e, como se costuma dizer, é quando corremos por gosto e nunca, ou quase nunca, nos cansamos. Independentemente das escolhas que façamos, o Homem demonstra uma capacidade imensa de retirar da mais estranha das situações um prazer inigualável que o leva a alcançar esse bem tão preciso de que falo. Há quem goste do ar, há quem goste da água, há quem goste do fogo e há até quem goste da terra. Há tanta gente que gosta de tanta coisa. A nossa pequenez como indivíduos ofusca a grandeza que demonstramos como sociedade. Porque é que temos de nos amarrar a vontades, a estereótipos, pressões ou mesmo a financiamentos externos para tentarmos ser felizes?
A busca da felicidade é, na realidade, o maior de todos os nossos objectivos, ou melhor, todos os outros objectivos são um meio para chegar à felicidade. E é isso que queremos, de uma maneira ou de outra. Não há real e puro altruísmo no seu sentido comummente utilizado. O problema é que a busca da felicidade é, na sociedade que nos rodeia, um percurso feito de fora para dentro. Na realidade temos é de fazer um caminho de dentro para fora.
Não devemos deixar que o Mundo nos diga o que fazer para sermos felizes. Temos de dizer ao Mundo o que queremos fazer, para que nele possamos ser felizes.
"Claro que sim filho. Se realmente queres, é o que serás!"
A vida é feita de escolhas... Algumas piores, outras melhores, mas as escolhas estão sempre lá. E aqui não há nada mais simples que um único objectivo final. Por muitas voltas que possamos dar e por muitos argumentos que possamos apresentar, a meta final, ao tomar uma decisão, é a busca da felicidade. Não sejamos hipócritas nem mentirosos, há profissões das quais não gostamos e há decisões que rezamos a Deus, seja ele quem for, para que os nossos filhos não as tomem. No entanto não há nada mais sagrado do que a felicidade. É o nosso Deus mais tangível, a nossa busca mais insaciável e, como se costuma dizer, é quando corremos por gosto e nunca, ou quase nunca, nos cansamos. Independentemente das escolhas que façamos, o Homem demonstra uma capacidade imensa de retirar da mais estranha das situações um prazer inigualável que o leva a alcançar esse bem tão preciso de que falo. Há quem goste do ar, há quem goste da água, há quem goste do fogo e há até quem goste da terra. Há tanta gente que gosta de tanta coisa. A nossa pequenez como indivíduos ofusca a grandeza que demonstramos como sociedade. Porque é que temos de nos amarrar a vontades, a estereótipos, pressões ou mesmo a financiamentos externos para tentarmos ser felizes?
A busca da felicidade é, na realidade, o maior de todos os nossos objectivos, ou melhor, todos os outros objectivos são um meio para chegar à felicidade. E é isso que queremos, de uma maneira ou de outra. Não há real e puro altruísmo no seu sentido comummente utilizado. O problema é que a busca da felicidade é, na sociedade que nos rodeia, um percurso feito de fora para dentro. Na realidade temos é de fazer um caminho de dentro para fora.
Não devemos deixar que o Mundo nos diga o que fazer para sermos felizes. Temos de dizer ao Mundo o que queremos fazer, para que nele possamos ser felizes.
"Claro que sim filho. Se realmente queres, é o que serás!"
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Futuro
As conversas que me orgulho de ter com (quase) todos os seres humanos com quem me tenho cruzado nesta viagem têm, de facto, sido fundamentais para me enriquecer como pessoa e para me mostrar novas perspectivas do Mundo. A minha infantil, ou não, necessidade de acreditar que conseguimos criar uma sociedade melhor, mais igual e justa, torna-me quase num pequeno e inocente conversador perante os grandes conhecedores da política e sociologia mundial.
Penso, no entanto, que um pouco de crença, mesmo que pouco fundamentada, é particularmente importante para que possamos evoluir e crescer como seres, como cultura e até mesmo como raça. Já dizia António Gedeão que "Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança". Há, penso eu, algo de especial importância nesta frase. É necessário sonhar, acreditar em algo, mesmo que nos pareça impossível, mesmo que olhemos para ela como algo intangível, temos de acreditar que, um dia, a conseguiremos alcançar.
Uma sociedade igualitária é, sem dúvida alguma, algo utópico neste momento por diversas razões, sendo que a principal parece-me o facto de que a nossa sociedade criou necessidades que, para serem satisfeitas, obrigam a que haja uma determinada quantidade de pessoas a ocupar cada posto de trabalho, no entanto, esta distribuição de pessoas pelos postos de trabalho não é igual à quantidade de pessoas que, na realidade, querem ocupar esse posto. Gera-se aqui, portanto, uma incompatibilidade entre a felicidade e realização de cada indivíduo e o bom funcionamento da sociedade. Não é, no entanto, o objectivo de cada sociedade melhorar, para que cada um dos seus indivíduos possa ter uma maior qualidade de vida? Assim, a resposta imediata daqueles que, e digo-o com sinceridade, são bastante conhecedores das politicas e sociedades actuais, prende-se com a incapacidade do ser humano lidar com o conforto. Isto é, se a sociedade proporcionar a cada um dos seus indivíduos uma vida confortável e sem risco, tornar-nos-íamos em seres preguiçosos, numa sociedade estagnada que nada mais teria como função neste Mundo, a não ser a função de Estar. Há aqui algo que me baralha. Eu compreendo perfeitamente este ponto de vista e sinto-me até intimidado por ele, no entanto, parece-me que podemos pegar nele através de outro ponto de vista. Pergunto-me se não há pessoas que, com todo o conforto e segurança do mundo, não se lançam à descoberta, ao estudo e à aprendizagem, sem qualquer necessidade de o fazer? Então porque não poderia isso acontecer com alguns dos elementos da tal sociedade utópica? Mais ainda, olhando para a sociedade que temos neste momento, na qual a maior parte dos seus indivíduos passa fome e não tem quaisquer condições de higiene ou segurança, seria assim tão descabido querer uma sociedade estagnada, mas justa e confortável? Aceitar que pararíamos de evoluir, mas que todos os que nascessem tivessem possibilidade de comer… Não me parece que esta última hipótese seja a melhor, até porque eu próprio não me identifico com ela, mas, para alguém que nasce hoje e não tem mais do que meio como de água para beber a cada dois dias, será uma possibilidade tão descabida assim?
Fundamentalmente, o que quero defender é que, mesmo que hoje nos pareça completamente impossível uma sociedade justa e confortável para cada um dos seus indivíduos, porquê colocar essa hipótese de lado? Quantas coisas não eram impossíveis no passado e são adquiridas hoje em dia, a electricidade, a internet, a Terra redonda, entre outras. Mais ainda, temos exemplos de pequenas comunidades que conseguem viver partilhando por todos os seus membros as riquezas que recolhem da natureza. É, então, assim tão impossível imaginar um mundo melhor? Como dizia John Lennon, “Um sonho que sonhas sozinho, é apenas um sonho. Um sonho que sonhamos juntos é a realidade”.
A compreensão do Mundo é algo que procuramos desde sempre. Enquanto nos agarrarmos ao possível e alcançável, o Mundo continuará a ser uma incógnita. O que nos parece impossível hoje, poderá ser o adquirido amanhã, basta-nos acreditar.
Ups...
Hoje levei um murro! Não daqueles que se leva em brigas ou em desafios nocturnos em bares que tresandam a álcool e vagabundice. Levei um murro da vida, um soco no estômago que se estendeu ao pescoço e me apertou num nó bem forte fazendo surgir na minha mente uma única e simples mensagem: O que vais fazer da tua vida?! Tenho 23 anos, estou a poucos meses de acabar um mestrado e com grandes possibilidades de vir a ter uma bolsa de doutoramento que me permite prosseguir numa financeiramente confortável meia década. Mas então, o que é que vou fazer da minha vida? Não quero isto, não me apetece estar agarrado a instituições académicas para o resto da vida a pedinchar por bolsas e a tentar entrar nos quadros de uma faculdade. Não me apetece fazer investigação nos processos cognitivos para o resto da minha vida e muito menos não ser feliz. Mas agora já tomei esse caminho, já o estou quase a acabar e sinto-me preso numa via de sentido único com duas linhas contínuas, uma de cada lado, que não me permitem desviar. A verdade é que eu escolhi isto, eu quis seguir um caminho que apenas me permitia investigar. Apetece-me divagar, experimentar, escrever, falar, comunicar e tudo aquilo que… não estou a fazer. Será tarde demais para mudar de rumo? O que é que isso implica? Será que eles me financiam? Podia apenas seguir o que estou a fazer e tentar retirar alguma coisa disso… Eu até gosto do que estou a fazer! Mas será que gosto mesmo? Será que gosto só de gostar ou gosto de fazer isto para sempre? Penso que tantos à minha volta demonstram real gosto por aquilo que estão a fazer e eu apenas gosto. Qual é o problema de só gostar? Só gostar não me faz viver a vida, só a faz passar… Na realidade queria estar a começar a fazer algo, a trabalhar… Em vez disso, penso em possibilidades, remotas e dependentes de bolsas… Sempre as bolsas e sempre a faculdade. Quero tirar outro curso, sobre coisas diferentes, noutra faculdade que me expulse mal acabe a licenciatura! Já percebi isso… Vou fazê-lo? Não sei… Sei que levei um murro. Apetece-me gritar para todos os que estão à minha volta “Ups, enganei-me!!”. Até ganhar coragem, vou escrevendo a tese sobre um tema que… gosto.
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