Escreve, escreve, escreve. Agora não faço mais nada! Escrever!
Ao menos custa-me menos a adormecer.
quinta-feira, 22 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Insónia.
Mais uma para a conta. Repetem-se, de forma cada vez mais frequente, as noites em que me custa a adormecer. É estranho mas intrigante a forma como os pensamentos fluem. Apaga-se a luz, faz-se silêncio e PUM! Começa o martelo a bater-me na cabeça com uma força desgraçada. Não dói nem nada... Angustia-me! Não disse "um martelo", mas sim "o martelo" porque sei que martelo é, e é sempre o mesmo. Tenho nas minhas mãos, há já alguns meses, o poder para parar esse martelo, mas durante o dia ele parece não existir. Ou pelo menos é mais fácil fazer de conta que ele não existe. No entanto, à noite, bate directamente no estômago, aperta-me a garganta e quase me dá vontade de explodir num misto de gritos e lágrimas até que ninguém à minha volta consiga ficar indiferente a esta incessante martelada. À noite custa mais. Parece que um Mundo mudo e preto nos deixa mais atentos à vida. Saímos de nós próprios para criticar o que fizemos mal ou, no meu caso, o que não fiz de todo, durante os dias que vão passando. No entanto, não consigo afastar de mim as consequências impetuosas que irão recair sobre a minha pessoa. Sim, é mais um dos efeitos do acto de adormecer: amplifica as consequências de um problema até ao mais cenário mais dramático que a nossa fértil imaginação pode criar. Apetece-me perguntar aos mais próximos "Continuo a ser eu se falhar nesta tarefa?" e "Continuas a gostar de mim?", ou então àqueles que não me são próximos mas que esperam o meu sucesso "Terei uma segunda oportunidade ou vai riscar-me do livro das oportunidades para sempre?".
Ás vezes penso o quão mais fácil seria fugir para um sítio sem estas pressões. Há locais no Mundo bem mais pacíficos em que a nossa única preocupação do dia-a-dia é decidir entre respirar com a boca ou com o nariz (embora a última hipótese seja mais saudável). Nestes sítios nunca iremos longe porque não precisamos de ir, nascemos, crescemos, aprendemos skills com os nosso progenitores, contribuímos para a sociedade em que estamos, retiramos dela todo o prazer de uma ausência de preocupação sobre o nosso rumo visto que ela o traça por nós, aproveitamos o fim do dia com uma bebida na mão, a família na outra e os amigos em redor... Onde é isso? Quero mesmo isso?
Já devia ter começado a escrever a tese há muito. Agora, não consigo dormir.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
As pessoas
Hoje o meu avô veio ter comigo, deu-me um papel e disse "lê isso". Eu peguei no papel que dizia o seguinte:
"As coisas acontecem, sucedem e a gente aproveita ou não.Há um jogo de meninos que, em Portugal, se chama cama de gato: os meninos atam um cordel em círculo, depois fazem assim com a mão, vem outro e faz uma complicação qualquer, mete o dedo e faz outra complicação, vem outro ainda e quando aos dedos faz assim e tira, e forma outra figura. Este jogo chama-se cama de gato. Então, eu acho que na vida o que há, é um jogo perpétuo de crianças com a cama de gato, que a vida vem de vez em quando e apresenta-nos um problema, olhamos e vemos como é que havemos de tirar, depois metemos os dedos, fazemos assim e sai outra coisa. É que toda a nossa habilidade é tornar a ser crianças para ver como sai a cama de gato."
Não há maior verdade do que admitir que o que a vida nos dá é resultado daquilo que fazemos dela. Mas, como na cama de gato, a maior parte das vezes não sabemos qual a complicação que nos surge após a descomplicação anterior.
Obrigado avô.
"As coisas acontecem, sucedem e a gente aproveita ou não.Há um jogo de meninos que, em Portugal, se chama cama de gato: os meninos atam um cordel em círculo, depois fazem assim com a mão, vem outro e faz uma complicação qualquer, mete o dedo e faz outra complicação, vem outro ainda e quando aos dedos faz assim e tira, e forma outra figura. Este jogo chama-se cama de gato. Então, eu acho que na vida o que há, é um jogo perpétuo de crianças com a cama de gato, que a vida vem de vez em quando e apresenta-nos um problema, olhamos e vemos como é que havemos de tirar, depois metemos os dedos, fazemos assim e sai outra coisa. É que toda a nossa habilidade é tornar a ser crianças para ver como sai a cama de gato."
Prof. Agostinho da Silva
Não há maior verdade do que admitir que o que a vida nos dá é resultado daquilo que fazemos dela. Mas, como na cama de gato, a maior parte das vezes não sabemos qual a complicação que nos surge após a descomplicação anterior.
Obrigado avô.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
O Real Sonho.
Há umas noites atrás sonhei. Sonhei duas vezes numa única noite. Ou melhor, sonhei uma vez durante a noite e sonhei a segunda já de manhã.
Acordei assustado com um pesadelo daqueles que nos deixam o coração aos pulos, daqueles que metem medo. Olhei para o quarto em redor e reparei num pequeno fio de luz que se esgueirava entre a portada e a parede. Estava confortavelmente quente e sentia o frio fora dos lençóis. Decidi deixar-me ficar a ver no que aquilo dava; "pode ser que volte a adormecer", pensei eu... E voltei mesmo. Mal eu sabia da reviravolta que ia acontecer.
Quando dei por mim estava na Quinta do Fojo rodeado de gente e cães, muitos cães, alguns que conhecia, outros nem tanto. Havia uma grande confusão - confusão de festa, confusão boa, feliz - e nem me lembro bem o que estava a acontecer como é típico dos sonhos. Eis quando o meu primo entre numa pequena guerrilha amistosa comigo e começa a correr atrás de mim. Depois de corridos uns quantos metros, atravesso a janela virada para a Serra e, após um pequeno empurrão com os pés, dou por mim a voar com uma suavidade e fluidez incrivelmente reais. Estava a voar, eu estava realmente a voar! Sentia o ar na cara e a brisa a percorrer-me os cabelos. Via tudo cá de cima e nada me conseguia para. Estava livre como nunca e sentia aquela felicidade que nos enche o peito ao ponto de rebentar! Só me apetecia gritar toda a alegria que me corria nas veias! Lá de baixo ainda oiço o meu primo gritar "Fogo assim não vale!" ao que eu respondo "Este sonho é tão bom! Não quero que acabe nunca!". No momento da minha resposta apercebo-me de que realmente estou a sonhar. O mais fantástico disto tudo é que obriguei toda a minha consciência a memorizar todos e quaisquer pormenores daquela situação. Sabia que aquilo ia acabar e, portanto, disse a mim mesmo: "Vou tornar isto realidade".
De repente acordei. Tão satisfeito com este sonho como assustado com o anterior. Nunca me tinha acontecido. Foi delicioso voar. Eu senti o voar. Acho que quando me apercebi que era realmente um sonho, ainda estava a sonhar e isso permitiu-me fazer um esforço maior para registar o que se passava. Senti um sonho sabendo que este ia acabar. Foi efémero mas real. Não há uma lembrança nublada do sonho, há uma recordação. Pergunto-me o seguinte: se não consigo encontrar diferenças entre a minha recordação deste sonho e a recordação da minha última viagem para Lisboa, porque é que uma delas é mais real que a outra? Não é! Eu não quero que seja, não sinto que seja, nem é! Foi um sonho real, porque o vivi!
Eu voei!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Falar.
Ontem falámos, hoje falámos e amanha falaremos.
Entendemo-nos.
As pessoas mudam.
Ás vezes deixam de se entender.
Ás vezes entendem-se na mudança.
Tenho de receio de um dia não a entender.
Tenho receio que um dia ela não me entenda.
Quero mudar com ela.
Quero entendê-la.
Quero que me entenda.
Espero que nos entendamos sempre.
Entendemo-nos.
As pessoas mudam.
Ás vezes deixam de se entender.
Ás vezes entendem-se na mudança.
Tenho de receio de um dia não a entender.
Tenho receio que um dia ela não me entenda.
Quero mudar com ela.
Quero entendê-la.
Quero que me entenda.
Espero que nos entendamos sempre.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Vais ou ficas?
Todos temos o nosso pequeno Mundo. É nele que aprendemos a ser e a viver. É nele que está a segurança. É nele que a nossa vida se assume. Cada um dos nossos pequenos Mundos tem muitas particularidades. Cada um tem o seu direito de ser. Todos constituem O Mundo. Mas O Mundo é grande. Muito Grande!
Gostava de poder passear. Só passear. Não quero pensar onde, nem com quem, nem em que moldes. Só gostava de passear. A aventura de me enfiar num meio de transporte para um sítio totalmente desconhecido é fascinante. É verdade que é moda dizer que se quer viajar. Mas esse viajar não me interessa. Eu não quero hotéis nem piscinas nem discotecas. Quero conhecer o desconhecido, quero ver os pequenos Mundos para acrescentar ao meu Mundo. Tenho sede de transformar o meu Mundo num Mundo gigante! Quero viver vários pequenos Mundos.
Um dia fui a um sitio diferente. Mesmo diferente. E gostei. Gostei da vida deles. Gostei de olhar o Mundo com os olhos deles. O chão do aeroporto era diferente; todo ele era alcatifado, sem falha. Era quente, mas sujo também. O ar era morno, húmido e porco - quase dava para sentir o fumo a entrar-nos pelos pulmões adentro. Era bom. A comida era vegetariana, o que poderia ser um problema para mim, visto que adoro um bom bife. Mas não, passei 10 dias sem carne e sem sentir qualquer falta dela. Os quartos eram porcos, com mosquitos e com as casas de banho por lavar. Penso que nem os lençóis mudavam entre cada hóspede. Senti-me verdadeiro. Sabia que não gostava daquilo, que muito do que se estava a passar à minha volta ia contra todos os princípios do pequeno Mundo onde tinha crescido. Mas este também era o pequeno Mundo de muitas pessoas e eu queria saber como se tirava dali o prazer de viver. Foi preciso abrir o espírito. Não foi fácil. Mas foi bom. Senti-me maior, mais vivido, mais conhecedor.
Eis que surge um novo vício: depois destas experiências há uma sede que se apodera de nós. Uma sede de mais e mais e mais. Queremos o nosso Mundo a crescer infinitamente. Queremos viver mais, ver mais, sentir mais. Principalmente, queremos tudo isto diferente do pequeno Mundo onde crescemos. E aqui os problemas começam. Ou somos ricos, ou somos muito corajosos. A primeira não me interessa e a segunda tão depressa se apodera de nós, como nos deixa sós à beira da estrada. A verdade é que eu gostava de partir, sinto aquela inquietação interna. Aquela vontade demolidora de me lançar ao Mundo que me deixa o estômago às voltas. Quero esquecer a faculdade, o futuro, as pressões e o dinheiro. Só quero ir. Passados uns anos volto mais pessoa, mais vivido e mais feliz. Volto com o meu Mundo gigante às costas - cheio de visões diferentes e de sensações diferentes. Posso viver o meu pequeno Mundo através do meu Mundo gigante!! Mas tenho medo. Vou ter saudades, vou estar desconfortável, posso adoecer, posso ficar pobre, posso morrer, posso não ter ninguém com quem partilhar, posso passar fome, posso sentir-me só. Posso nunca conseguir voltar para ver o meu pequeno Mundo através do meu Mundo gigante. Pode não resultar.
Pensar faz mal.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Está frio não estava?
Ainda me custa a escrever neste teclado. Está frio, muito frio! Tanto que os meus dedos demonstram alguma relutância em aceder às minhas ordens.
Saí da grande cidade e vim para o campo. A casa é grande e tem muito menos movimento que o pequeno apartamento lá na capital. Entro e sinto os ossos estalar. O escuro engole a beleza que a decoração ostenta - as portadas estão fechadas para evitar intrusos inesperados - e o silêncio suga toda a vida que daqui podia surgir. O cenário é, basicamente, frio! Não obstante, sinto-me em casa. Abro as portadas, acendo as luzes e a mobília mostra-se como a face de uma noiva quando levanta o véu. O tom vermelho e castanho da tijoleira e da madeira contrastam com o branco das paredes envolvendo-me numa sensação acolhedora e espaçosa. Sem perder tempo, acendo três milagrosas acendalhas, coloco três pinhas em cima e, como uma pequena grande cereja no topo do bolo, a lenha assenta na perfeição. De repente, debaixo do amontoado de madeira, começa a surgir uma fraca luz. Estalos ecoam e a luz aumenta. Naquilo que parece um abrir e fechar de olhos, a chama cresce e começa a engolir os enormes troncos que anteriormente pareciam impenetráveis. A luz está mais forte e agora transmite calor, as enormes paredes iluminam-se e começam a cuspir uma energia que outrora não existia. A casa volta a estar viva e sabe bem estar aqui. Deito-me no sofá. Entretanto a minha mãe - minha querida mãe - chega com mais energia, mais calor, mais vida! Passeio-me entre a sala e a cozinha. Conversamos, comemos, cozinhamos e contamos as novidades fazem os nossos pequenos mundos girar - "hoje assaltaram a casa ali do lado, ainda fomos atrás do tipo mas ele fugiu". Foi aqui que cresci, é que que me sinto realmente confortável. Volto à minha infância, aos bons e maus momentos que aqui passei, aqueles que me fizeram quem sou. Volto a casa. Estou feliz. Estou quente!
Saí da grande cidade e vim para o campo. A casa é grande e tem muito menos movimento que o pequeno apartamento lá na capital. Entro e sinto os ossos estalar. O escuro engole a beleza que a decoração ostenta - as portadas estão fechadas para evitar intrusos inesperados - e o silêncio suga toda a vida que daqui podia surgir. O cenário é, basicamente, frio! Não obstante, sinto-me em casa. Abro as portadas, acendo as luzes e a mobília mostra-se como a face de uma noiva quando levanta o véu. O tom vermelho e castanho da tijoleira e da madeira contrastam com o branco das paredes envolvendo-me numa sensação acolhedora e espaçosa. Sem perder tempo, acendo três milagrosas acendalhas, coloco três pinhas em cima e, como uma pequena grande cereja no topo do bolo, a lenha assenta na perfeição. De repente, debaixo do amontoado de madeira, começa a surgir uma fraca luz. Estalos ecoam e a luz aumenta. Naquilo que parece um abrir e fechar de olhos, a chama cresce e começa a engolir os enormes troncos que anteriormente pareciam impenetráveis. A luz está mais forte e agora transmite calor, as enormes paredes iluminam-se e começam a cuspir uma energia que outrora não existia. A casa volta a estar viva e sabe bem estar aqui. Deito-me no sofá. Entretanto a minha mãe - minha querida mãe - chega com mais energia, mais calor, mais vida! Passeio-me entre a sala e a cozinha. Conversamos, comemos, cozinhamos e contamos as novidades fazem os nossos pequenos mundos girar - "hoje assaltaram a casa ali do lado, ainda fomos atrás do tipo mas ele fugiu". Foi aqui que cresci, é que que me sinto realmente confortável. Volto à minha infância, aos bons e maus momentos que aqui passei, aqueles que me fizeram quem sou. Volto a casa. Estou feliz. Estou quente!
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